Educar e corrigir

As famílias nunca tiveram tantas dúvidas sobre a melhor maneira de educar suas crianças. Entre a correção e o receio do trauma, os pais muitas vezes impõem à escola a tarefa de ensinar regras sociais básicas.

Por Sonia Casarin*

Educar e corrigir. Artigo de Sonia Casarin.

Século 21. Esta é uma época difícil para educar as crianças, tanto em casa como na escola. O que é certo? O que é errado? O que é a verdade? Estas perguntas não têm respostas claras e diretas. Há um século os pais sabiam o que era melhor para seus filhos, como ensinar o que era correto e o que não era e corrigir quando a criança fazia algo errado, punindo-a ou castigando-a.

Hoje essas palavras trazem apreensão. Os pais dizem: “se eu corrigir meu filho, ele pode ficar traumatizado”. Penso que criar filhos nunca foi fácil, mas agora, com tantas dúvidas, é ainda mais difícil. Os pais têm dúvidas sobre o que é certo e mais dúvidas sobre como ensinar o que consideram certo às crianças. Pais querem ser amigos dos filhos e, assim, o lugar de pais fica vazio. Se não há alguém para exercer a autoridade e dar a noção de respeito e hierarquia às crianças, também a noção de limites e disciplina fica nebulosa. Os valores tornam-se ligados ao imediatismo, conhecimento e aprendizagem viram palavras sem sentido.

Esse vazio repercute na escola. Em muitos casos, as crianças chegam à idade escolar sem noção das regras básicas de convivência, sem noção de hierarquia, sem motivação para aprender. Os professores recebem essas crianças e lutam para despertar o interesse delas pela aprendizagem, pela motivação por aprender, e ficam perplexos com seu comportamento “inadequado”. Quando o jovem, sentado na carteira ou com os pés sobre a mesa, diz: “E aí, fala, pro!”, o professor fica desconcertado. Tenho observado que a primeira reação diante de tais comportamentos é corrigi-los, exigindo que peçam desculpas ou saiam da sala. Em casos mais extremos o aluno é advertido ou suspenso.

Pergunto ao aluno, por exemplo, por que ele teve que sair da sala. Muitas vezes ele não sabe, não associa seu comportamento à “correção”. Não associa porque não aprendeu qual é o comportamento socialmente apropriado e esperado em determinado contexto ou situação. Assim, castigamos antes de ensinar, corrigimos antes de educar.

É papel da escola ensinar comportamentos sociais básicos? Alguns dizem que sim, outros dizem que não. Certamente, a escola é um espaço de socialização e nós, educadores, devemos nos responsabilizar por esse espaço, para que ele cumpra seu papel da melhor maneira. A escola é um espaço de educação e devemos educar para depois corrigir.

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*Sonia Casarin trabalha com inclusão desde quando “inclusão” ainda não existia no vocabulário escolar. É doutora em Psicologia pela PUC-SP, autora de Talento e deficiência: como incluir alunos com diferentes tipos de inteligência (Editora Ática, 2011), docente da pós-graduação em Educação Inclusiva do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e responsável pelo SOS Down.

Um Comentário

  1. LUCIENE disse:
    Em 16/09/2012 às 00:02

    TENHO UM FILHO DE 12 ANOS E ELE NÃO TEM NOÇÃO DE RESPEITO COM UMA DETERMINDA PROFESSORA. JÁ CONVERSAMOS DIVERSAS VEZES, NÃO TEMOS RESULTADO SATISFATORIO EM NENHUMA DAS VEZES.COMO POSSO AJUDAR-LO.

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