Após uma série de atividades que integraram tecnologia, educação e cultura por meio de apresentações, competições e mesas de debate, o Dante Digital – exposição promovida por alunos e professores do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo – chegou ao fim no último sábado com um saldo bastante positivo: quem acompanhou a programação não teve dúvidas de que a proposta central do evento, “Conectando saberes, conectando história”, foi plenamente cumprida.
Ao longo dos seis dias de evento (24 a 29/10), pesquisadores, educadores, pais e estudantes aproveitaram as oportunidades de discussão e dialogaram, entre diferentes gerações e formações, sobre as possibilidades hoje abertas pela tecnologia para a melhoria da Educação.
Nós estivemos no evento, acompanhando a movimentação e apresentando nossas novidades digitais, e agora destacamos aqui no blog trechos da mesa “Games & Educação”, um dos pontos altos da exposição. Como comentou a equipe do colégio pelo Twitter, “termina o Dante Digital 2011 em grande estilo!”.
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:: Games & Educação ::
“Sem dúvida alguma vale a pena criar jogos educacionais para crianças e jovens. Os jogos formam uma linguagem completamente adaptada ao que os alunos são e ao que querem. Eles adoram seus Nintendo DS’s, PlayStations e iPhones e querem trazê-los para a sala de aula – e não para se dispersarem, mas porque encaram esses dispositivos como ferramentas para o seu desenvolvimento. Este processo já demorou, acho que deveríamos ter hoje muito mais games ligados à educação. E não precisam ser games criados especificamente para esse fim, porque há uma porção de jogos comerciais que podem ser perfeitamente aproveitados – e com muitas vantagens – na sala de aula.”
- Paulo Silvestre, gerente de produtos digitais do Grupo Estado. Jornalista apaixonado por mídia e tecnologia, está online desde 1987.
“Praticamente todos os meus alunos têm Nintendo DS. Eles tiram e postam fotos no Facebook em tempo real. Outro dia um aluno até comentou que escreveu uma história sobre um game… Parece brincadeira, mas se nós aproveitássemos melhor essa disposição dos jovens, as aulas seriam mais divertidas e produtivas. Realmente, estamos demorando para enxergar com mais cuidado o uso de games para a educação e, com certeza, para aproveitar aqueles que já existem.”
- Delane Cogo, pedagoga, pesquisadora de Educação e Tecnologia e professora do Ensino Fundamental do Colégio Dante Alighieri.
“Acho que vale a pena desenvolver games para todos os fins, mas algo que precisa ser sempre considerado é o valor do engajamento. Existem pesquisas que mostram que já foram jogados mais de 5 milhões de anos de World of Warcraft (número que representa a soma de todo o tempo gasto por todas as pessoas que ao menos já experimentaram o game). Vamos avaliar esse dado em perspectiva histórica? Há 5 milhões de anos, talvez o homem estivesse começando a andar…
A pesquisadora Jane McGonigal defende um ponto bastante importante a respeito do processo de gameficação: é possível transferir tamanho engajamento para a vida real – pensem aonde poderíamos chegar se conseguíssemos, cada vez mais, colocar isso em prática. Acredito que este seja um grande desafio, mas também a maior mensagem que posso deixar: com esse engajamento, podemos transformar o mundo em diversos níveis.”
- Alvaro Gabriele Rodrigues, professor e coordenador do curso de Desenvolvimento de Jogos Digitais da Fatec Carapicuíba, gestor de Projetos Interativos da Secretaria de Educação de São Paulo, game designer e produtor de jogos independentes.
“Assim como não existe idade certa para brincar, não existe limite de idade ou faixa etária adequada para aprender. Devemos levar muito a sério a possibilidade da transformação cidadã por meio dos jogos – é possível transportarmos esse aprendizado para o nosso dia a dia e, com isso, obrigarmo-nos a aprender mais sobre os jogos. Podemos criar games de todos os tipos, com todas as finalidades.”
- Martín Restrepo, especialista em Mobile Learning, sociofundador da Editacuja, editora transmídia que integra tecnologias para o desenvolvimento de ações educacionais e culturais. Fundou, ainda, os capítulos do MobileMonday em São Paulo e Bogotá.
“Concordo com todo mundo. Tenho, porém, uma única observação: não devemos criar mais jogos para crianças ou para estudantes, mas criar jogos com eles, aprendendo com eles. Cada vez mais o game não é apenas o espaço virtual onde o usuário vai aprender alguma coisa; na verdade, o próprio fazer games traz conhecimento. Vamos fazer Educação via jogos, não apenas jogos para a Educação.”
- Gilson Schwartz, economista, sociólogo, jornalista e líder do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da USP. Diretor para América Latina da rede Games for Change.
A mediação do encontro foi de Bira Carnevale, mestre em Ciência da Computação, doutor em Engenharia da Computação e professor do Departamento de Tecnologia Educacional do Colégio Dante Alighieri.
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