Escolhas

1. Escolhas, opções e decisões

As escolhas que fazemos na vida dependem das opções que temos – e se materializam através de nossas decisões.

Há momentos na vida em que somos confrontados por situações em que (segundo tudo indica) temos de fazer uma escolha e tomar uma decisão. Em situações assim, não nos é ofertada a opção da continuidade: ou seguimos por um lado, ou pelo outro.

Se, Deus nos livre, formos assaltados na rua e o assaltante nos colocar diante da clássica equação “a bolsa ou a vida”, nos depararemos com uma escolha a fazer, embora as opções não sejam apenas as que o assaltante impõe. Podemos lhe entregar a bolsa e, se tudo sair certo, nos safarmos do incidente com vida, ou podemos ficar com a bolsa e arriscar a vida. Mas ainda podemos – apesar de o bom senso e as autoridades policiais não recomendarem – criar uma terceira opção: tentar ficar tanto com a vida como com a bolsa, reagindo contra o assaltante. Há, evidentemente, a possibilidade de perdermos ambos, mas o fato é que numa situação assim não temos a opção de não fazer uma escolha: somos obrigados, forçosamente, a fazê-la.

Há momentos na vida em que somos confrontados por situações em que (pelo menos aparentemente) temos a opção de fazer uma escolha (dentro de uma série de opções), mas podemos também não fazê-la (pelo menos naquele momento). Só que não fazer a escolha também reflete, de certo modo, uma escolha…

Imaginemos um jovem solteiro, com cerca de 30 anos, que esteja bem empregado e ainda more com seus pais. Em algumas sociedades, ele será pressionado a fazer uma escolha: casar-se (ou viver junto em união estável) ou não. Se ele inicialmente optar por não fazer a escolha, de certo modo fará a escolha de não se casar (pelo menos naquele momento). Se optar por se casar, terá, na sequência, de fazer várias outras escolhas. Hoje em dia, pelo andar da carruagem, terá de fazer uma escolha básica: decidir se se casa com alguém do outro sexo ou com alguém do mesmo sexo… Após esta etapa, terá de escolher com quem irá se casar. E assim vai.

Em uma sociedade simples, normalmente temos poucas opções. Se a sociedade é também conservadora e estável – isto é, se quase não muda, ou muda muito devagar –, o número de opções que temos é ainda menor, porque várias coisas são decididas por nós através da tradição, do costume, ou até mesmo da lei, que muitas vezes incorpora a tradição e o costume.

Quando a lei, ou o costume, ou a tradição proíbem alguma coisa, sempre temos a opção de afrontá-los, se julgamos o assunto suficientemente importante e estivermos dispostos a sofrer as consequências. Numa sociedade assim, o curso de nossa vida é, em grande medida, decidido por nós, isto é, independe de nossas escolhas.

Ou vejamos.

Na sociedade brasileira em que viviam nossos avós (ou bisavós, se você, leitor, for muito jovem), casar-se com alguém do mesmo sexo não era uma opção. A tradição, o costume e a lei daquela sociedade não colocavam essa opção. É inegável que as pessoas podiam afrontar a tradição, o costume e a lei e viver juntos com alguém do mesmo sexo. Mas essa união, além de não ser bem aceita socialmente, não produzia no plano jurídico os mesmos efeitos que, hoje, uma união estável entre pessoas do mesmo sexo produz (pensão, seguro, herança etc.). Naquela sociedade, nem mesmo a opção de simplesmente não se casar era muito realista, por causa da pressão social – a menos que você estivesse disposto a se tornar padre ou freira.

É verdade que muitos (quem sabe muitas) queriam se casar dentro do padrão convencional, mas não encontravam ninguém suficientemente interessante com quem pudessem fazê-lo – ou simplesmente não encontravam ninguém, ponto, interessante ou não, dentro ou fora do convencional, disposto a aceitar uma proposta de casamento. (Ninguém nunca disse que a vida é fácil…).

Na sociedade brasileira anterior a 1977, uma vez casado, sempre casado: o divórcio não era uma opção, porque a lei não o permitia. A separação de fato sempre era possível, mas ela não produzia efeitos no plano jurídico. A “separação de jure”, o chamado desquite, era possível e produzia alguns efeitos jurídicos, mas não podia ser seguida de um novo casamento ou união estável legalmente registrada, porque apenas a sociedade conjugal era dissolvida, não o casamento.

Note-se que estamos falando, aqui, de coisas importantes, como casar-se ou não se casar, e, tendo se casado, separar-se ou não se separar… Mas as coisas funcionam do mesmo jeito mesmo em situações relativamente simples.

Disse atrás que uma sociedade simples é uma sociedade em que, normalmente, temos poucas opções. Antigamente, se estivéssemos na rua e quiséssemos tomar um café, iríamos a um bar e pediríamos um cafezinho – passado no coador convencional, ele seria servido já adoçado, inevitavelmente. Hoje em dia, se entrarmos num bar e pedirmos um café, teremos, provavelmente, de fazer várias escolhas: comum ou expresso? Puro ou com um pouco de leite? Com açúcar, com adoçante, ou sem nada? Se formos a uma coffee shop sofisticada, provavelmente teremos de fazer várias outras escolhas, porque lá existe até mesmo a oportunidade de tomar café com chocolate e canela, ou café gelado em um copo com mistura de conhaque, por exemplo. Isso mostra que, à medida que a sociedade se sofistica, o número de nossas opções aumenta e, consequentemente, temos mais escolhas a fazer e somos obrigados a tomar mais decisões.

Embora possamos concluir que é melhor ter mais opções do que menos, é inegável que, em muitas situações, fazer escolhas e tomar decisões não é algo fácil. Às vezes é muito difícil, e em situações extremas pode parecer até impossível. (Alguém viu o filme A Escolha de Sofia?)

É difícil fazer uma escolha se nenhuma das opções disponíveis é aceitável… No caso do assaltante, descrito atrás, nem a opção de entregar a bolsa nem a opção de abrir mão da vida é aceitável para a maioria das pessoas. Por isso algumas delas criam a opção, arriscadíssima, de reagir. Também é difícil fazer uma escolha se mais de uma opção é igualmente aceitável, mas não é permitido ou viável escolher mais de uma opção…

Também é difícil fazer uma escolha se o número de opções é muito grande, mesmo que seja possível adotar mais de uma delas. Uma criança numa loja de brinquedos, ou um professor universitário numa livraria, ou uma jovem numa loja de sapatos atraentes em liquidação são todos exemplos dessa situação. Têm vontade de levar tudo – mas, por razões financeiras ou logísticas, estão impedidos de fazê-lo, tendo, portanto, de escolher apenas uns poucos.

2. A escolha de uma profissão ou carreira

A escolha de uma profissão ou carreira era, num passado não muito remoto, algo bem mais simples e fácil do que é hoje. Por um lado, havia menos opções. Por outro lado, a fixidez dos costumes, a rigidez dos papéis sociais e sexuais e a ausência de possibilidades reais de mobilidade social restringiam as opções de cada um. O filho de um pequeno agricultor tinha poucas opções além de seguir a profissão ou carreira do pai, ao mesmo tempo em que filhos de advogados e médicos dificilmente não se formavam advogados e médicos.

Note-se que estou usando exemplos de pessoas do sexo masculino de forma intencional, porque mulheres, especialmente as mais pobres, não tinham muitas opções profissionais, além do casamento ou (e) do trabalho doméstico. Para as mulheres da – relativamente pequena – classe média, havia a opção de seguir o magistério, a enfermagem, ou de trabalhar no comércio. Existiam mais opções para as mulheres das classes mais abastadas – mesmo assim, uma gama bastante limitada face às possibilidades disponíveis atualmente.

Uma menina pobre que diga que pretende ser médica ou astronauta faz ainda hoje com que as sobrancelhas de muita gente se entortem. Um menino pobre, engraxate, que afirme que um dia será presidente da nação ainda causa a mesma reação – embora, como todos sabemos, isso hoje não só é possível como já aconteceu.

De qualquer maneira, as opções hoje disponíveis para quem está no momento de escolher uma profissão ou uma carreira são infinitamente superiores às que existiam cem anos atrás – tanto para homens como para mulheres. O problema, há cem anos, é que existiam poucas opções. Hoje o problema é o excesso de opções.

3. Projeto de vida

A definição de um projeto de vida envolve mais do que a escolha de uma profissão ou carreira (embora necessariamente inclua isso). Ela envolve, por exemplo, as questões que discutimos no primeiro ponto: queremos viver a vida basicamente sozinhos ou queremos compartilhá-la com alguém? Se optarmos por compartilhá-la com alguém, qual é, em linhas gerais, o perfil da pessoa com quem gostaríamos de compartilhá-la? Definido este perfil, qual, dentre as pessoas que o preenchem, parece mais interessante? Ela está disponível e disposta a compartilhar sua vida conosco? Se não está, devemos desistir ou há possibilidade de a convencermos de que compartilhar sua vida conosco é uma opção atraente?

Mas um projeto de vida envolve mais do que escolhas sobre profissão e carreira, ou sobre casar ou não casar, ou (tendo decidido casar) com quem… Também envolve a escolha (extremamente complexa) do tipo de pessoa que queremos ser e do tipo de vida que queremos viver. Por exemplo: onde vamos querer viver – numa grande capital ou numa pequena cidade? Numa montanha ou num vale? Na praia ou num sítio sossegado no interior?

4. Autoconhecimento

Todos nós nascemos com certas capacidades e aptidões naturais. Normalmente chamamos essas capacidades ou aptidões de talentos naturais, ou dons – um dom é algo que nos é dado, que não fomos nós que adquirimos ou construímos.

Uns têm talento ou dom para a comunicação verbal (oral ou escrita), outros para lidar com números, outros para a música (que se desdobra em vários dons subsidiários), outros para a dança (que também se desdobra em vários dons subsidiários), outros para o esporte (que igualmente se desdobra em vários dons subsidiários), outros para a negociação e para a busca de acordos e consensos, outros para cuidar de crianças, ou de idosos, ou de doentes, etc.

Nosso projeto de vida deve refletir aquilo que realmente queremos ser e fazer na vida. Para isso, devemos buscar conhecimento sobre nossos talentos ou dons…

É verdade, entretanto, que, algumas vezes, podemos ter talentos e dons para uma coisa, mas não sentir prazer em realizá-la. Neste caso, nossos talentos e dons não combinam com aquilo que realmente gostamos de fazer.

Outras vezes escolhemos fazer algo porque representa o que nos dá prazer, ou é a nossa paixão, mas não temos talento para a coisa. Por exemplo, tocar violino ou piano, jogar futebol… Aqui a paixão não combina com nossos talentos e dons.

Situação talvez mais difícil seja a de quem não consegue descobrir quais seus talentos e dons, ou, talvez ainda mais complicado, quais são as suas paixões, as coisas de que realmente gosta de fazer, que o faz vibrar, o que lhe enche de entusiasmo e motivação.

Muitos jovens, hoje em dia, parecem perdidos diante da vida, sendo incapazes de definir um projeto de vida de longo prazo. Precisam aprender a fazer isso.

5. Valores

Definir um projeto de vida envolve fazer escolhas. E escolhas são feitas com base em valores.
Valores (verdade, honestidade, justiça, bondade, beleza) são entidades abstratas que orientam nossas escolhas e decisões e, através delas, nossas ações. Sendo assim, muitas vezes abrimos mão de algo que queremos ou que nos traria vantagem por causa de nosso compromisso com a verdade ou com a honestidade ou com a justiça.

Suponhamos que um jogador de futebol faça um gol com a mão e, na sequência, levante o braço e acuse, ele próprio, a irregularidade no lance. Ainda que o árbitro tenha validado o gol, ele exibirá, na prática, o que são valores, porque a atitude representa que ele não está interessado em levar vantagem o tempo todo nem a qualquer preço. (No Brasil, infelizmente, se alguém fizer isso provavelmente será considerado um babaca).

É possível que nossos valores nos impeçam de escolher determinadas profissões ou carreiras que gostaríamos de exercer, ou, tendo-as escolhido, de exercê-las como a maior parte das pessoas as exerce. Também é possível que nossos valores nos impeçam de nos casar com determinadas pessoas, com quem gostaríamos de nos casar, porque são de raça ou de cor ou de religião ou de orientação sexual ou de posição ideológica diferente – ou apenas porque elas já são casadas.

Nesses casos, devemos nos privar daquilo que queremos ou submetermos nossos valores a uma análise séria e, quem sabe, a uma revisão.

6. O papel da educação

A visão de educação como processo de desenvolvimento humano (e não como processo de transmissão da tradição cultural da humanidade de uma geração para outra) coloca todo esse conjunto de questões no centro do trabalho educativo.

Essa visão da educação se alicerça num entendimento, ainda que minimalista e formal, da natureza do ser humano, que ressalta os seguintes traços:

  • O ser humano ao nascer

Para estabelecer comparação e contraste, vamos analisar brevemente uma espécie animal bastante curiosa e interessante: as tartarugas marinhas.

O filhote de uma tartaruga marinha nasce sabendo fazer aquilo que ele precisa fazer para sobreviver. Ao sair do ovo, ele já domina as competências básicas necessárias para sua sobrevivência: sabe andar, sabe nadar, sabe encontrar alimento adequado. Por isso, o filhote de tartaruga marinha nem sequer precisa de cuidados maternos para sobreviver. Sua mãe bota ovos na areia da praia e vai embora, abandonando os futuros filhotes à própria sorte antes mesmo de eles nascerem. O filhote, depois de nascido, não precisa se submeter a um processo de desenvolvimento, digamos, “tartarugal”: ele já nasce pronto para viver sua vida de tartaruga marinha. Não precisa aprender nada. Tudo que ele precisa saber fazer para sobreviver ele já nasce sabendo. Só lhe resta crescer e amadurecer algumas funções já existentes, como, por exemplo, a função reprodutiva.

Isso poderia parecer uma grande vantagem. Mas tem seu preço. Nenhuma tartaruguinha marinha escolhe o que vai ser e o que vai fazer na vida, nenhuma tartaruguinha define um projeto de vida e gasta tempo procurando descobrir quais seus talentos e dons, ou procurando selecionar seus valores.

Em contraste, o ser humano não nasce totalmente desenvolvido: nasce, por assim dizer, inacabado. Apesar de passar por uma gestação relativamente prolongada no útero materno, ao nascer ele não está pronto para viver a vida de um ser humano: não sabe fazer basicamente nada, além de chorar, quando está em desconforto.

Diferentemente da tartaruguinha marinha, o bebê humano é, no momento do nascimento, totalmente incompetente, do ponto de vista de sua capacidade de sobrevivência autônoma: não domina nenhuma das competências específicas indispensáveis para esse tipo de sobrevivência, como, por exemplo, locomover-se com eficiência, comunicar-se de forma eficaz com aqueles que vivem ao seu redor, arranjar comida e abrigo para si próprio… Para se locomover de forma mais ou menos eficiente, o ser humano leva pelo menos um ano; para se comunicar de forma mais ou menos eficaz com seus semelhantes, precisa de no mínimo três anos; para cuidar de sua vida com um mínimo de autonomia, precisa de vários anos – só Deus sabe quantos, hoje em dia. Por isso, o ser humano é, ao nascer e por bom tempo depois, totalmente dependente de outras pessoas. E, por ser dependente, não pode ser considerado responsável por suas ações. Na verdade, por bom tempo ele mais sofre as ações dos outros do que propriamente age (no sentido estrito do termo “agir”). Por isso, a legislação em geral o considera legalmente incapaz durante esse tempo.

Assim sendo, ou o ser humano constrói, através da aprendizagem, as competências específicas indispensáveis para a sua sobrevivência, ou ele viverá para sempre dependente dos outros, um parasita, porque, deixado à própria sorte, morrerá.

  • Sua capacidade de aprender

Apesar de nascer incompetente, no sentido visto, o ser humano nasce com uma incrível capacidade de aprender, que lhe possibilita a partir do seu nascimento dominar várias habilidades que, oportunamente, se aglutinam nas competências que lhe permitem deixar para trás a incompetência originária, alcançando níveis cada vez maiores de autonomia e assim se tornando cada vez mais responsável por suas ações e pelo seu destino.

A capacidade de aprender do ser humano lhe permite aprender em interação com o seu ambiente, em especial com o ambiente humano. E essa capacidade é inata: o ser humano não precisa aprender a aprender. Isso, ele já nasce sabendo. Depois de nascer, ele precisa apenas exercitar essa aptidão de modo a adquirir outras habilidades, que não lhe são inatas.

  • Educação e projeto de vida

Porque o ser humano não nasce pronto para a vida, sua “programação genética” é, em grande medida, “aberta”: restringe-se aos essenciais biológicos.

Esse fato lhe permite, oportunamente, por escolha própria, respeitadas as circunstâncias em que vive (que incluem condições naturais, históricas e sociais, bem como decisões e ações de terceiros), definir seu projeto de vida, isto é: (a.) Escolher que tipo de vida deseja viver e que tipo de ser humano deseja ser; (b.) Usar sua capacidade de aprender para desenvolver as habilidades e competências necessárias para transformar seu projeto de vida em realidade.

Esse projeto de vida pode e deve ir muito além da mera sobrevivência de cada um para incluir a fruição da vida, vale dizer, sua realização nos diversos planos em que essa vida se desenrola: pessoal, social, profissional etc.

É importante registrar que, nessa visão da educação, não são os educadores que definem o tipo de ser humano que querem “formar”: cada criança escolhe que tipo de pessoa quer ser, vale dizer, que tipo de pessoa pretende se tornar.

  • Projeto de vida e construção de competências

Informações, conhecimentos, valores e atitudes são necessários para que o ser humano defina seu projeto de vida e o transforme em realidade. No entanto, o foco da educação está no processo de desenvolvimento humano – e esse processo se dá pela aprendizagem, entendida como construção de capacidades, vale dizer, de competências.

Uma competência é um conjunto de habilidades adquiridas ou construídas pela aprendizagem que permite ao ser humano fazer coisas que ele não sabe fazer naturalmente – como, por exemplo, falar uma linguagem verbal específica, ou ler e escrever o código escrito dela.

Algumas competências básicas, como falar uma linguagem verbal, são essenciais para qualquer projeto de vida. No tipo de sociedade desenvolvida em que vivemos, dominar o código escrito dessa linguagem também é uma competência essencial para qualquer projeto de vida. Muitos argumentam que manejar tecnicamente as tecnologias digitais e saber o que fazer com elas também são competências essenciais aos seres humanos privilegiados que vivem no Século XXI, em que essas tecnologias estão por toda a parte.

A aprendizagem, embora seja social, isto é, aconteça no processo de interação de cada ser humano com seus semelhantes, precisa ser uma construção de cada um. É essa a essência da visão construtivista da educação e da aprendizagem. O ser humano aprende, neste caso, quando se torna capaz de fazer aquilo que não conseguia fazer antes.

Dentro dessa visão, o ser humano se desenvolve à medida que aprende, e a construção de sua identidade como pessoa autônoma (que define seu próprio projeto de vida) e responsável (que transforma seu projeto de vida em realidade) é um processo que acontece ao longo de toda a sua vida. Por isso, a aprendizagem, e, por conseguinte, o desenvolvimento do ser humano, tem lugar ao longo de toda a sua vida.

7. O desafio: meios e fins

Se não me engano foi Albert Einstein que disse uma vez que nós vivemos em uma época de meios cada vez mais aperfeiçoados e fins cada vez mais confusos. Isto se reflete na educação que proporcionamos a nós mesmos e aos outros.

Tecnologia é meio. Competências são meios. Meios sem dúvida são importantes. Mas só são importantes quando servem para nos ajudar a alcançar fins que desejamos atingir e que estão firmemente alicerçados em nossos valores.

Dar ênfase, na educação, ao desenvolvimento de competências e ao domínio de tecnologias, sem enfatizar os fins, sem uma concomitante discussão séria do papel que esses fins têm no projeto de vida de cada um e nos projetos de vida coletivos é propiciar uma educação capenga, que permite que as crianças fiquem com potentes meios nas mãos, mas sem saber o que podem e o que devem fazer com eles.

Que as crianças, os adolescentes e os jovens queiram saber para que servem as coisas que queremos e esperamos que eles aprendam na escola não é de admirar. Na realidade, é evidência de que eles têm a cabeça focada nas coisas certas. O que é de admirar é que tantos educadores não saibam responder a essas perguntas, nem se preocupem com isso.

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  1. Por Educação e felicidade em 19/07/2011 às 23:24

    [...] de vida. Para definir um projeto de vida e transformá-lo em realidade precisamos fazer escolhas e, como vimos em artigo anterior, escolhas têm que ver com valores. Valores são algo de que a escola foge como o diabo da cruz. A [...]

  2. [...] de vida. Para definir um projeto de vida e transformá-lo em realidade precisamos fazer escolhas e, como vimos em artigo anterior, escolhas têm que ver com valores. Valores são algo de que a escola foge como o diabo da cruz. A [...]

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