Há tempo para recuperar o que os alunos não aprenderam?

Ao invés de tornar-se vilã, a recuperação final pode proporcionar uma oportunidade concreta de aprendizado. Cabe a nós, educadores, conscientizar os alunos e seus pais disso.

Neste período do ano, alunos e pais estão bastante ansiosos para saber os resultados finais das avaliações. Sempre olhei para esta época da perspectiva de educadora; agora, creio ter condições de refletir pensando também pelo viés desses alunos e pais.

Este é o momento em que todos estamos cansados. Vivemos a correria de finalizar correções, calcular médias (praticadas pela grande maioria das escolas públicas e privadas), entregar boletins… Dividimo-nos entre os alunos que atravessam essa fase tranquilamente, porque já conseguiram atingir as expectativas do currículo e das avaliações, e entre os “preocupados” ou “esperançosos” de que os últimos resultados melhorem.

Uma coisa é certa: eles nunca conseguem vislumbrar a recuperação final como uma oportunidade concreta para retomarem o que não foi possível aprender ao longo do ano. Ela acaba se tornando um processo vazio ao ser tratada com foco na fixação rápida de conceitos e na “segunda chance” proporcionada sob novas avaliações (já critiquei por aqui o incentivo ao estudo com fins de apenas “tirar nota”).

No entanto, nós, educadores, podemos entender a recuperação como uma oportunidade única de formação – afinal, ela nos proporciona um período (em geral, uma semana) de contato intenso com turmas bem mais enxutas que o normal.

É uma fase em que o professor pouco ajudará se quiser rever todo o conteúdo oferecido ao longo do ano, mas muito contribuirá se selecionar os temas essenciais que os alunos deverão compreender para prosseguirem nos estudos. A seguir, listo alguns pontos para reflexão:

  • Podemos valorizar mais as competências que o aluno precisa desenvolver do que os conteúdos lecionados em si. Será que ele merece ser reprovado ou ter a nota rebaixada por não ter decorado algum conceito importante (ou específico)?
  • Devemos observar e incentivar o progresso do aluno, valorizando mais este percurso do que o resultado final. O professor ponderou se ao longo do ano ele evoluiu, ficou mais interessado e apresentou progressão em sua aprendizagem – mesmo que a média final tenha sido baixa? Este é um indicador importante, que precisa ser sempre considerado porque aponta a capacidade de o aluno avançar ainda mais.
  • É fundamental mostrarmos o verdadeiro sentido da recuperação e da avaliação – os alunos precisam perceber que elas são uma nova oportunidade de aprendizado, e não um castigo. Para tanto, torna-se necessário que o professor pense e aja desta forma, indicando o quanto eles irão aprender e como progredirão nos estudos.
  • É possível discutirmos as razões da recuperação com os pais e orientá-los de forma correta. Se em casa eles pressionarem os filhos e tratarem a recuperação como um castigo, corre-se o risco de que os jovens desanimem totalmente e não reconheçam a nova oportunidade.
  • Devemos discutir permanentemente os avanços e sucessos dos alunos – com eles próprios, inclusive. É preciso que compreendam que as dificuldades e as defasagens são superáveis por meio do empenho e da dedicação necessária.

Em suma, o tempo escasso e as expectativas já projetadas para o próximo ano são grandes desafios, mas deixo minhas contribuições para que nós, educadores, reflitamos sobre o que ainda pode ser feito por aqueles que não alcançaram os objetivos previstos.

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