“Livros imperdíveis precisam ser garimpados, pesquisados, lidos e ruminados”, lembra a infoeducadora Januária Alves. Neste artigo, ela compartilha a sua experiência na seleção de 100 livros imperdíveis para pequenos e jovens leitores.
Por Januária Alves*

Acabo de editar “100 livros imperdíveis para os seus alunos”, especial da revista Nova Escola que estará nas bancas a partir do próximo dia 16, incluindo uma versão digital. Foi uma experiência e tanto! Juntamente com uma equipe de cinco profissionais da área de Leitura e Educação, tive o privilégio de selecionar 100 obras literárias de qualidade consideradas “imperdíveis” e destinadas a crianças e jovens de zero a 14 anos.
Apesar de muito prazeroso, não foi nada simples encarar essa empreitada. Muitas questões se colocaram e o desafio de selecionar obras num panorama tão rico como o da literatura infantojuvenil disponível no Brasil foi imenso.
Como escolher? Que critérios adotar? Que partido adotar para iniciar a seleção? Obviamente todos da equipe partilhávamos das convicções da própria revista: era preciso indicar livros literários (e nesse caso a revista optou por também indicar textos informativos) que ajudassem a formar leitores críticos, competentes e, mais que tudo, apaixonados pela leitura literária para sempre.
Sabemos que não há receitas prontas que nos ensinem a estimular o gosto pela leitura, mas há parâmetros que norteiam as escolhas do que oferecer para que nossas crianças e jovens conheçam o máximo de opções possíveis. Porque só conhecendo uma diversidade significativa é possível escolher, e só escolhendo podemos gostar.
Partimos do princípio de que seria interessante entrar em contato com as principais editoras de livros infantojuvenis do mercado (procuramos 50 delas) e pedir que seus editores enviassem uma lista de livros do seu catálogo que consideram “imperdíveis”. A partir daí, cruzamos essas indicações com outros tantos títulos que conhecíamos e com os quais costumamos trabalhar com crianças e jovens. Assim, a seleção foi tomando forma.
Escolhemos textos de diversos gêneros, autores, ilustradores, tradutores. Livros só com imagens, clássicos e best-sellers, os premiados e os menos conhecidos, de autores iniciantes e consagrados. Entraram livros com textos longos, curtos, coloridos e em preto e branco, com temáticas que vão das aventuras ao folclore, passando pelo que interessa a todas as faixas etárias que elegemos.
Esse exercício deu-nos a certeza que livros imperdíveis precisam ser garimpados, pesquisados, lidos e ruminados. Tudo isso para que as crianças e os jovens, por sua vez, possam atribuir-lhes múltiplos significados, o que é a função precípua da literatura. Cada leitor recria o livro de acordo com suas experiências, necessidades e inquietações. Quando ele se identifica com a obra, a leitura extrapola as páginas e provoca um grande encontro.
A edição desse especial foi, para mim, uma constatação do fato de que caprichar na seleção é essencial para que a leitura faça parte e tenha sentido na vida de seus leitores. Fez-me retomar o pedagogo francês Jean Foucambert em A Leitura em Questão (Editora Artmed):
“É preciso criar as condições de uma prática da leitura não mais centrada na formação do alfabetizado, mas do leitor. Mais do que oferecer o que ler, é necessário oferecer razões do que ler.” Ou seja, o trabalho com os livros deve, sempre, estar pautado na possibilidade do leitor ampliar seu repertório, tanto do ponto de vista do conhecimento formal, como emocional, cultural e social.
Acredito que ler bons livros tem que ser mais do que algo imperdível, tem que ser inerente à vida, como diz a escritora premiada Ana Maria Machado em Como e porque ler os clássicos universais desde cedo (Editora Objetiva):
“Ninguém tem que ser obrigado a ler nada. Ler é um direito de cada cidadão, não é um dever. É alimento do espírito. Igualzinho a comida. Todo mundo precisa, todo mundo deve ter à sua disposição – de boa qualidade, variada, em quantidades que saciem a fome”.
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*Januária Cristina Alvesibi é colaboradora pedagógica das Editoras Ática e Scipione. Atua como jornalista, infoeducadora e escritora, com mais de 25 livros publicados.
7 Comentários
A leitura e muito importante na vida da gente , todos nos tanto alunos como educadores, pois e lendo que adquirimos mais conhecimentos, para a cada momento estarmos aptos a aprender cada vez mais podendo assim enriquecer as nossas aulas, aprendendo tambem com nossos alunos, trocando experiencias. A leitura e um passaporte para a sabedoria…
É a base de tudo pois e através da leitura que conhecemos um mundo de muitas informações.
Um livro pode transformar ideias, pode mudar pessoas… A leitura é luz para o novo mundo!
Quando nos tornamos leitores. O prazer de ler torna uma viagem ao redor do mundo cheia de surpresas e descobertas. Ler nos leva a lugares inimaginaveis.
A leitura é fundamental para o processo de aprendizagem do aluno, sendo que a escola é que tem o espaço necessário para o desenvolvimento desta prática, pois para muitos alunos é o único lugar onde há livros. A leitura tem o intuito de oportunizar melhor compreensão de textos. O ato de ler não é apenas uma decodificação das palavras, é necessário discernimento dos textos escritos de forma a possibilitar um entendimento ao que o autor quis dizer.
Ler é muito mais que um modo de aprendizado, ler é acima de tudo uma forma de diversão e relaxamento. Mas mostrar ao leitor iniciante, estas possibilidades é função da escola, na hora de responder a constante pergunta, porque é importante o ato de ler.
A leitura é imprescindível ao ser hamano, visto que proporciona a
inserção do mesmo no meio social e o caracteriza como cidadão participante, tendo em vista que a criança aprende a ler antes mesmo de entrar na escola, nas situações familiares.
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