Direitos Humanos,
um dever da escola

Post "Direitos humanos, um dever da escola", ilustração de Camila Olivetti

Por Sonia Casarin*

Em 10 de dezembro de 1948 foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Há 64 anos temos este documento. Devemos comemorar?

Penso que sim, certamente. Embora no dia a dia possamos constatar o contínuo desrespeito aos direitos básicos da pessoa humana, a Declaração nos garante um ponto de apoio para continuarmos lutando.

A expressão “direitos humanos” abrange valores, princípios e normas que se referem ao respeito à vida e à dignidade da pessoa humana, e especialmente aos grupos vulneráveis como mulheres, negros, indígenas, idosos, pessoas com deficiência, grupos raciais e étnicos, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais.

No Brasil, o Programa Nacional dos Direitos Humanos – 3 (PNDH3) gerou polêmicas quando foi anunciado. Publicado em 2010, o documento levantou reações intensas de diversos segmentos da sociedade, alguns buscando a defesa de seus próprios valores e interesses, outros buscando uma redação perfeita.

O PNDH3 não é, obviamente, um documento definitivo – justamente por seu caráter, representa uma carta que deve estar sempre em correção e atualização. Mas é, antes de tudo, um passo importante na pontuação de vertentes que não devem ser esquecidas na sociedade, o que nos faz compreender que as divergências que desperta são positivas porque geram reflexão e podem levar ao aprimoramento dos instrumentos de defesa dos direitos humanos.

O PNDH3 destaca a valorização da pessoa humana como eixo central do processo de desenvolvimento, preconiza a universalização do registro civil de nascimento e a ampliação do acesso à documentação básica; também prevê o acesso à alimentação adequada por meio de políticas estruturantes, assim como a garantia do acesso à terra e à moradia para a população de baixa renda e grupos sociais vulnerabilizados, o acesso universal a sistema de saúde de qualidade, o acesso à educação de qualidade e a garantia de permanência na escola, entre muitas outras “garantias”.

Como argumentei no início deste artigo, precisamos diariamente aprimorar nossos mecanismos de combate ao desrespeito aos direitos humanos. E, em minha opinião, a educação de crianças e jovens é um dos principais elementos para tanto: com a consciência desses direitos e a clara noção de cidadania, os futuros adultos podem ter em si incorporados os valores humanísticos, de maneira que suas ações sejam por estes guiadas.

Para que tudo isso aconteça, a escola e a sala de aula devem ser a própria expressão dessa humanização, dentro de uma abordagem compreensiva e acolhedora da diversidade que existe entre os alunos, cuidando daqueles que trazem as marcas da exclusão e buscando os caminhos para que eles possam efetivamente fazer parte da sociedade e serem respeitados em seus direitos.

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*Sonia Casarin trabalha com inclusão desde quando “inclusão” ainda não existia no vocabulário escolar. É doutora em Psicologia pela PUC-SP, autora de Talento e deficiência: como incluir alunos com diferentes tipos de inteligência (Editora Ática, 2011), docente da pós-graduação em Educação Inclusiva do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e responsável pelo SOS Down.

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Biblioteca Escolar: estabelecendo conexões entre a escola e o mundo

Artigo de Januária Alves "Biblioteca Escolar: estabelecendo conexões entre a escola e o mundo". Foto de Érica Georgino.

Por Januária Alves*

Ao longo de 2012 tive o privilégio de trabalhar em um projeto de formação de mediadores de bibliotecas escolares aqui do estado de São Paulo. A experiência foi extremamente valiosa: pude colaborar com diversos profissionais na construção do projeto de trabalho de suas bibliotecas e, assim, ampliar a minha vivência como formadora, já que desde 2000 atuo com a reflexão e a prática do uso dos jornais nestas instituições.

Todo o referencial teórico do projeto está ancorado no trabalho do Prof. Dr. Edmir Perrotti, da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), que tem pesquisado a Infoeducação, definida por ele mesmo como:

“A vertente brasileira crítica e criativa de um movimento mundial que visa dotar crianças, jovens e adultos de condições para navegar nos oceanos da informação de nossos dias: informação oral, escrita, audiovisual, analógica, digital, dentre outras. Ela é condição, portanto, para evitarmos naufrágios, para aprendermos a buscar, selecionar, organizar, interpretar, dar sentido às informações indispensáveis ao nosso e ao crescimento do mundo em que vivemos.” [Entrevista à revista Educação sem segredos, Ed. Iemar, julho de 2010]

É nesta perspectiva que temos trabalhado com os mediadores em projetos que fazem com que a biblioteca seja uma verdadeira “Estação de Conhecimento”. Ou seja, que esteja integrada à escola como uma instância de aprendizagens informacionais específicas e de cultura, que estabeleça conexões entre o seu projeto pedagógico e as infinitas possibilidades oferecidas por esse mundo complexo e multifacetado em que vivemos.

No artigo “Infoeducação: Saberes e fazeres da contemporaneidade”, o Prof. Dr. Edmir e a Profa. Dra. Ivete Pieruccini definem o infoeducador como aquele profissional que

“(…) Trabalha tanto aprendizagens que remetem ao valor e à importância dos diferentes materiais informacionais (livros, jornais, revistas, CDs, DVDs, dentre outros), das diferentes instituições culturais (bibliotecas, centros de documentação e informação, centros culturais, livrarias, museus, casas de cultura e outros), das diferentes práticas culturais (ler, escutar histórias, ouvir CDs, assistir à TV, vídeos, comunicar-se via Internet), como aprendizagens ligadas a conceitos e modos de funcionamento dos diferentes dispositivos e redes culturais que caracterizam o mundo contemporâneo.”

Neste sentido, temos levado o nosso grupo de mediadores a refletir sobre a importância de conhecer o projeto político pedagógico da escola, seus objetivos curriculares e, alinhados a eles, elaborar um plano geral de trabalho para o ano em questão, com objetivos e metas a serem atingidos, devidamente articulados aos objetivos de aprendizagem previstos pelos professores em cada um dos anos escolares.

Entendemos que o mediador que está na biblioteca escolar é também um educador – no caso, um infoeducador, um novo profissional cuja identidade e formação estão ainda em discussão e construção em várias partes do mundo – que pode contribuir de forma significativa com o projeto pedagógico da escola ao estabelecer as conexões necessárias para tanto, ao extrapolar os conteúdos curriculares para além da sala de aula e ao deflagrar ações sistematizadas para uma aprendizagem dos diferentes modos de aprender a informar-se e a informar aos outros nos dias de hoje.

Sim, porque diante dos desafios impostos pela modernidade, faz-se urgente e necessário prepararmos as crianças e os jovens para que aprendam com e por meio das tradicionais e das novas tecnologias culturais (livros, revistas, computadores etc.). E isso não ocorre somente disponibilizando-as para esse público. É preciso saber como as variadas mídias, seus conteúdos e instituições estão apresentados, fazendo o uso crítico, criativo e consciente deles para que, de modo amplo, os jovens cidadãos aprendam a aprender.

Este é o caminho que eu e meus colegas formadores temos traçado no projeto. Mais que saber operar diferentes linguagens e suportes, propomos que a vivência das crianças e dos jovens nas bibliotecas escolares incentive-os a refletirem e questionarem as informações recebidas cotidianamente, a se apropriarem de modos de produção e a verdadeiramente se tornarem protagonistas culturais.

O desafio é grande, mas já está posto e é completamente necessário colocarmos em prática projetos que conectem a escola ao mundo de maneira mais “pedagógica” (com fins utilitários mesmo), se desejarmos formar cidadãos críticos e atuantes nessa “sociedade da informação”.

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*Januária Cristina Alvesibi é colaboradora pedagógica das Editoras Ática e Scipione. Atua como jornalista, infoeducadora e escritora, com mais de 25 livros publicados.

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2ª Feira do Livro Digital

Clique no player abaixo e assista ao debate “Enquanto isto, na sala de aula…”, que reúne experiências de aplicação de conteúdo digital e mobilidade no ambiente escolar. A discussão integra a programação da Feira do Livro Digital, evento organizado pelo Colégio Santa Cruz, de São Paulo.

Transmissão encerrada.
Em breve disponibilizaremos aqui a íntegra do debate.

Participantes:

Ana Teresa Ralston, diretora de Tecnologia de Educação da Abril Educação [Moderação]
Colégio Albert Sabin – Hugo Cabret e Van Gogh em Foco! – Prof. Paulo Fontes
Colégio Santa Cruz – Um começo na direção do livro digital – Profa. Maria Isabel Roux
Colégio Bandeirantes – Usando o eBook para Treinos a Distância e Divulgação Científica – Profa. Cristiana Assumpção
Colégio Visconde de Porto Seguro – Alfabetização Digital | O uso de tablets na Educação Infantil – Profa. Savina Allodi
Colégio Dante Alighieri - Gestão compartilhada de recursos móveis – Profa. Valdenice Minatel
Escola Beit Yaacov – Vida Longa ao Livro – experiências com “Kindle” em sala de aula – Prof. Matthias Meier
Escola Mobile – Possibilidades do Aplicativo ShowMe – de consumidores a autores – Prof. Rodrigo Mendes
Escola Internacional de Alphaville – “Uso de apps abertas para produção didática, é possível?” – Prof. Francisco Mendes
Colégio Arquidiocesano – Usos do tablet nas práticas escolares – “Civilizações Hidráulicas: Mesopotâmia e Egito” – Profa. Cleide Diniz

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“Enquanto isto, na sala de aula…”

Experiências de aplicação de conteúdo digital em sala de aula serão compartilhadas na 2ª Feira do Livro Digital; você acompanha a transmissão ao vivo aqui no Blog das Editoras Ática e Scipione

As Editoras Ática e Scipione participam, nesta quarta-feira (14/11), da segunda Feira do Livro Digital, evento do Colégio Santa Cruz voltado a professores, gestores, pesquisadores e editores interessados e atuantes na conjugação da tecnologia com a sala de aula.

Em sua primeira edição, realizada em 2011, a feira selou a aproximação entre o mercado editorial e os departamentos de tecnologia educacional das escolas paulistanas em torno de questões relevantes como formatos, plataformas e meios de consumo de livros digitais didáticos e paradidáticos. Neste ano, além da discussão sobre papeis de professores, autores e bibliotecários (entre outros) nesta nova cadeia de produção e consumo de conteúdo, a feira privilegiará a troca de experiências de aplicação entre as escolas participantes.

Marcaremos presença no evento com um espaço exclusivo de exposição dos nossos produtos e serviços digitais, e por meio da mesa-debate “Enquanto isto, na sala de aula…”, em que Ana Teresa Ralston, diretora de Tecnologia de Educação da Abril Educação – grupo do qual as Editoras Ática e Scipione fazem parte –, mediará a apresentação de uma série de cases sobre mobilidade e utilização de conteúdo digital nas escolas.

Nós transmitiremos o debate ao vivo, aqui no nosso blog, a partir das 13h30. Você consulta e assiste à programação completa do evento no site da Feira do Livro Digital. Acompanhe!

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Final de ano é tempo
de antecipar mudanças

Artigo de Sonia Casarin: "Final de ano é tempo de antecipar mudanças". Arte baseada em foto original de  Bluescreen/MorgueFile

Por Sonia Casarin*

O final do ano está chegando, os alunos estão sendo avaliados e, de acordo com o resultado desta avaliação, algumas mudanças deverão ser feitas no projeto pedagógico escolar.

Para os alunos, a transição de ano acarreta novidades de diversas ordens. A mudança de série, por exemplo, geralmente implica em mudança de professor, novidade que deixa muitas crianças ressentidas – mesmo tendo os colegas como ponto de apoio, às vezes elas têm dificuldade de elaborar a separação e construir novos vínculos.

Tenho conversado com algumas educadoras sobre as mudanças que acontecerão na promoção dos seus alunos e nas adequações necessárias para eles em 2013. Uma delas é professora de 5° ano (antiga 4ª série) e atua com um aluno diagnosticado com TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

Utilizando estratégias e materiais que facilitaram a aprendizagem, bem como trabalhando na sala de aula com as capacidades dessa criança (e não destacando somente suas limitações), a professora conseguiu mantê-la próxima aos colegas. Agora, ela só precisa de atividades de apoio em matemática.

E como garantir a continuidade do processo de inclusão?

Começando agora. A equipe que vai trabalhar no próximo ano deve se articular com a equipe atual para elaborar um projeto pedagógico que garanta a continuidade do processo de ensino e aprendizagem do aluno, fazendo um planejamento “sob medida” para ele – e para todos.

Tal processo também demanda que o aluno seja preparado para a mudança. Com indivíduos com deficiência intelectual esse preparo é facilitador, pois oferece a oportunidade de se familiarizar com o novo professor e, se for o caso, com os novos colegas.

A familiarização pode ser feita por meio de situações em que o jovem encontre seus futuros professores, realize algumas atividades com eles, visite suas salas. Se o aluno for mudar de turma, podem ser planejadas atividades com as duas classes juntas (e outras também), como jogos, teatro, filmes e passeios, iniciando-se assim certa aproximação e alguma convivência com os futuros colegas. Desta forma, o estranhamento do início do ano não será tão grande.

Convido-o, professor, a começar a aprimorar o projeto de 2013 da sua escola e a compartilhar aqui no campo de comentários as suas experiências. Aproxime-se dos alunos que vão passar por alguma mudança significativa e procure saber se receberá algum aluno com deficiência no próximo ano, para começar desde já a conhecê-lo e a compreender suas particularidades.

Professores muitas vezes se queixam da falta de informação sobre as necessidades especiais de seus alunos, mas cabe a cada um buscar informações e recursos dentro da equipe (e fora dela se necessário), e assim fazer um planejamento que efetivamente possibilite o desenvolvimento discente.

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*Sonia Casarin trabalha com inclusão desde quando “inclusão” ainda não existia no vocabulário escolar. É doutora em Psicologia pela PUC-SP, autora de Talento e deficiência: como incluir alunos com diferentes tipos de inteligência (Editora Ática, 2011), docente da pós-graduação em Educação Inclusiva do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e responsável pelo SOS Down.

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